Dólar cai com força após tarifas de Trump e anima investidores

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O mercado financeiro global foi pego de surpresa nesta quinta-feira (3), após o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciar uma nova rodada de tarifas sobre produtos importados. Embora a medida tenha causado fortes quedas nas bolsas de valores internacionais, o Brasil seguiu na contramão: o dólar comercial registrou sua menor cotação em quase seis meses e a bolsa brasileira encerrou o dia praticamente estável.

Esse comportamento inesperado do mercado local revela como fatores regionais e a percepção dos investidores podem suavizar o impacto de decisões globais. Neste artigo, explicamos os desdobramentos das tarifas, a reação dos mercados e o que esperar nos próximos dias.

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A surpresa após o tarifaço de Trump

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Imagem: Evan El-Amin/shutterstock.com

O dia seguinte ao anúncio das novas tarifas de importação impostas pelo governo de Donald Trump foi marcado por um cenário bem menos turbulento do que o esperado nos mercados financeiros, especialmente no Brasil. Enquanto as bolsas de valores em Nova York derreteram, o dólar comercial recuou fortemente, e a bolsa brasileira manteve-se praticamente estável.

Dólar fecha no menor valor em quase seis meses

Queda inesperada anima investidores

O dólar comercial encerrou a quinta-feira (3) vendido a R$ 5,629, registrando uma queda de R$ 0,07, ou -1,23%. A moeda norte-americana chegou a atingir R$ 5,59 no meio do dia, representando seu menor nível desde 14 de outubro do ano anterior. Desde o início de 2025, o dólar acumula uma queda de 8,91%.

Por que o dólar caiu mesmo com a tensão global?

Mesmo com a imposição de tarifas agressivas por parte dos Estados Unidos, a cotação do dólar no Brasil seguiu uma trajetória de queda. Isso se explica, em parte, pela reação dos investidores que viram a tarifa de 10% para produtos da América Latina como mais branda do que o temido inicialmente. Com isso, houve um fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.

A estabilidade da bolsa brasileira em meio ao caos global

Ibovespa se descola do resto do mundo

O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, fechou o dia aos 131.141 pontos, uma leve queda de 0,04%. Durante a sessão, o índice oscilou bastante: caiu 0,55% pela manhã, subiu 0,91% pouco depois e passou a tarde em leve baixa.

Enquanto isso, o mundo desaba

Nas principais praças financeiras do planeta, o cenário foi bem diferente. As bolsas da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos sofreram fortes quedas. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 apresentaram quedas expressivas de 3,98%, 5,97% e 4,84%, respectivamente.

As novas tarifas de Trump e seus impactos

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Imagem: Shutterstock

A medida que sacudiu o mercado global

O governo dos Estados Unidos anunciou uma série de tarifas sobre produtos importados: 10% para a América Latina, 20% para a Europa e 30%, em média, para países da Ásia. A decisão teve como justificativa a proteção da indústria americana, mas foi amplamente criticada por economistas, que alertam para os riscos de uma nova guerra comercial.

Efeitos imediatos nas moedas globais

O dólar teve queda generalizada no mundo todo. Já o euro comercial subiu 0,35%, fechando o dia cotado a R$ 6,20. A valorização da moeda europeia reflete, em parte, a aversão ao risco gerada pelas ações do governo Trump.

Reações e interpretações do mercado

Expectativas frustradas ajudam emergentes

Analistas de mercado apontam que a reação positiva nos mercados emergentes, como o brasileiro, se deu porque muitos esperavam tarifas ainda mais duras sobre a América Latina. Como a sobretaxa foi considerada “moderada”, investidores aproveitaram para buscar ativos mais baratos e rentáveis nesses países.

Interpretação pragmática no Brasil

A leitura do mercado financeiro brasileiro foi de que, apesar da tensão global, a medida dos EUA pode não afetar diretamente os fundamentos da economia local. Além disso, a expectativa de cortes de juros no Brasil e o fluxo de capital externo ajudaram a valorizar o real.

O que esperar nos próximos dias?

Cautela ainda domina o cenário global

Apesar do alívio pontual no Brasil, o ambiente internacional permanece incerto. A guerra comercial pode se intensificar, e os efeitos de longo prazo das tarifas ainda são imprevisíveis. Empresas multinacionais já demonstram preocupação com o aumento nos custos e possíveis impactos nas cadeias produtivas.

Possível reação da China e da União Europeia

Especialistas aguardam os próximos movimentos de gigantes como China e União Europeia. Retaliações comerciais podem elevar ainda mais as tensões globais e afetar diretamente os mercados emergentes, inclusive o Brasil.

A perspectiva para o câmbio e os investimentos

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Imagem: Miha Creative / shutterstock.com

Dólar pode continuar em queda?

Há espaço para que o dólar mantenha sua trajetória de baixa, segundo alguns analistas, especialmente se o fluxo de capital estrangeiro continuar. No entanto, qualquer nova medida protecionista dos Estados Unidos ou instabilidade política local pode reverter essa tendência.

Bolsa pode atrair mais investidores?

A performance resiliente da bolsa brasileira em um dia de forte turbulência global chama a atenção. Com a expectativa de crescimento econômico moderado e juros em queda, o mercado de ações pode atrair mais investidores no curto prazo, especialmente estrangeiros em busca de retorno.

Considerações finais

A reação do mercado brasileiro após o aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos foi marcada por uma resiliência surpreendente. A queda do dólar e a estabilidade da bolsa indicam que, ao menos por enquanto, os investidores acreditam que o impacto será limitado no Brasil. No entanto, o cenário internacional segue volátil, e os próximos passos de potências como China, União Europeia e o próprio governo americano podem mudar essa percepção rapidamente.

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