Economistas projetam aceleração na inflação de fevereiro para 1,37%

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no Brasil, continua a ser um dos dados econômicos mais aguardados pelos economistas e pela sociedade em geral. De acordo com o último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (24), a projeção para o IPCA de fevereiro foi mantida em 1,37%.

No mês anterior, o IPCA-15, que antecipa os resultados do indicador oficial, subiu apenas 0,11%, refletindo uma inflação controlada, mas com sinais de pressão nos preços de alimentos e transportes.

Neste artigo, vamos analisar as previsões do IPCA para os próximos meses, os impactos das altas nos grupos de alimentação e bebidas, e as projeções para o ano de 2025. Além disso, vamos abordar o que essas estimativas significam para o bolso do brasileiro e os possíveis efeitos na política econômica do país.

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Imagem: Monster Ztudio / Shutterstock.com

O IPCA é o principal indicador utilizado pelo Banco Central do Brasil para medir a inflação e ajustar sua política monetária.

Ele reflete as variações de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras, e sua meta é ser mantida dentro de um intervalo estipulado pelo governo federal, com o objetivo de garantir a estabilidade econômica.

Em 2024, a meta de inflação estabelecida pelo Banco Central era de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5% para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. No entanto, o IPCA de 2024 fechou em 4,83%, superando o teto da meta e sinalizando um desafio maior para a política monetária do país.

O IPCA de Fevereiro: Mantendo a Projeção de 1,37%

De acordo com a última pesquisa do Relatório Focus, a projeção do IPCA para fevereiro foi mantida em 1,37%, com base nas expectativas de economistas. Essa estabilidade é observada mesmo após a prévia do indicador, que foi divulgada no IPCA-15, e mostrou um aumento modesto de 0,11% no mês de janeiro.

Os principais motores dessa variação foram os grupos de alimentação e bebidas, que registraram alta de 1,06%, e o setor de transportes, que subiu 1,01%. Juntos, esses dois grupos contribuíram com 0,44 ponto percentual para o cálculo total do índice de preços.

As Expectativas para Março e Abril

A expectativa é que o IPCA acelere ainda mais nos meses seguintes. Para março, as projeções indicam uma alta de 0,49%, enquanto para abril a previsão é de 0,50%.

Essas estimativas refletem uma expectativa de pressão contínua nos preços, especialmente nos grupos de alimentos e transportes, que seguem sendo os principais responsáveis pela inflação.

Aumento no Preço dos Combustíveis e Alimentos

Os preços de combustíveis, como o diesel e a gasolina, têm sido um dos maiores influenciadores da inflação no Brasil, afetando diretamente os custos de transporte e, consequentemente, o valor dos produtos.

No setor de alimentos, a elevação dos preços de itens como arroz, feijão e carne também tem gerado um impacto considerável no bolso do consumidor.

Além disso, a inflação global também exerce um efeito indireto sobre os preços internos, com os custos das commodities e os preços internacionais de alimentos e energia impactando diretamente o mercado brasileiro.

A Inflação de 2024 e o Desafio da Meta de 3%

Imagem de um monte de moedas. Sob elas, gráficos inflação
Imagem: d.ee_angelo/ Shutterstock

Em 2024, o Brasil enfrentou uma inflação mais alta do que o esperado, com o IPCA fechando em 4,83%. Esse resultado ficou acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central, que era de 3%.

O desafio agora é como o governo e o BC irão lidar com o cenário de inflação elevada, especialmente com a projeção de uma Selic em torno de 15% ao ano.

A taxa básica de juros (Selic) tem sido um dos principais instrumentos do Banco Central para controlar a inflação, já que o aumento dos juros tende a desestimular o consumo e a demanda. Porém, essa política tem um custo: pode afetar a atividade econômica e o crescimento do país.

Projeções para 2025: A Inflação Pode Chegar a 5,65%

Uma das principais preocupações do governo e do BC é a projeção para a inflação no ano de 2025. O Relatório Focus revelou que as projeções para a inflação de 2025 foram elevadas, passando de 5,60% para 5,65%. Esse aumento representa a 19ª alta consecutiva nas estimativas para o ano seguinte, o que mostra que os economistas não veem um alívio imediato para a inflação no futuro próximo.

Essa alta contínua nas previsões reflete a preocupação com o controle da inflação, que permanece desafiador, mesmo com a política de juros elevados.

Como a Inflação Afeta o Dia a Dia dos Brasileiros?

As variações no IPCA têm um impacto direto sobre o poder de compra das famílias brasileiras. Quando a inflação está em alta, o valor real da renda diminui, já que os preços de produtos e serviços aumentam constantemente. Isso significa que as pessoas precisam gastar mais para comprar os mesmos itens do dia a dia, o que pode comprometer o orçamento familiar.

Para o consumidor, as pressões inflacionárias nos setores de alimentação, combustíveis e transporte são especialmente preocupantes, já que são itens essenciais que fazem parte do gasto mensal de qualquer família.

O Impacto da Inflação no Mercado de Investimentos

Na ilustração da foto estão sendo exibidas cédulas de cinquenta, cento e duzentos reais e uma moeda de um real em destaque.
Imagem: rafapress / Shutterstock.com

O cenário de inflação elevada também afeta o mercado de investimentos. Em um ambiente de juros altos, os investidores tendem a buscar renda fixa, como CDBs, LCIs e Tesouro Direto, já que esses ativos oferecem rentabilidades mais atraentes em períodos de Selic elevada.

Por outro lado, as ações e os fundos imobiliários podem apresentar um desempenho mais volátil, já que a inflação elevada pode pressionar os lucros das empresas e aumentar os custos operacionais.

O Desafio de Controlar a Inflação

O cenário atual de inflação elevada no Brasil exige atenção constante do governo e do Banco Central. Embora as projeções para o IPCA em fevereiro e nos próximos meses indiquem uma aceleração, a política de juros elevados continuará sendo um dos principais instrumentos de controle da inflação.

No entanto, o aumento da Selic pode ter efeitos negativos sobre a economia, afetando o crescimento e o consumo. Para os consumidores e investidores, é importante se manter informado sobre os indicadores econômicos e entender como essas variações podem impactar suas finanças pessoais.

Em um momento de incertezas econômicas, o melhor é buscar estratégias de proteção contra a inflação, como investimentos em renda fixa e ações de empresas que conseguem repassar custos para o consumidor.

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