Trem metropolitano: veja como era e os desafios para o retorno na Grande BH

As discussões para o retorno do trem de passageiros da Região Metropolitana de BH (RMBH) ganharam um novo capítulo na última quarta-feira (2), com a realização da Audiência Pública na Câmara Municipal de Contagem. O meio de transporte, que se popularizou a partir da década de 1920, está desativado há cerca de 30 anos. Desde então, a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), responsável pelo trecho, utiliza a linha férrea exclusivamente para o escoamento de minério de ferro. Conheça a história e veja fotos do trem urbano da RMBH.

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Os trens metropolitanos, ou suburbanos, eram a principal alternativa de circulação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) entre as décadas 1950 e 1960. No entanto, conforme André Tenuto, integrante da ONGtrem e do Instituto Cidades, a precarização das linhas férreas de Minas Gerais na década de 1970 foi o principal fator para a suspensão dos serviços do trem de passageiros na RMBH.

De acordo com Tenuto, o Governo Federal era responsável pelas ferrovias e “mantinha os preços das tarifas, tanto de carga, quanto de passageiro”, explicou. No entanto, o sistema era deficitário e não arrecadava o necessário para a manutenção das linhas férreas. “Foi a precarização do serviço que causou o fechamento”, completou. Como solução, parte das linhas da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil/EFCB-RFFSA foram destinadas exclusivamente para as atividades de mineração.

Mais tarde, na década de 1990, a malha ferroviária da RMBH foi concedida à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) por 30 anos, que utiliza as linhas para transportar minério de ferro. Em contrapartida, o contrato da concessão determina, no inciso XIV da cláusula 9.1, que a empresa deve “zelar pela integridade dos bens vinculados à concessão, conforme normas técnicas específicas, mantendo-os em perfeitas condições de funcionamento e conservação, até a sua transferência à concedente ou à nova concessionária”, o que não foi atendido, conforme André Tenuto.

Arraste o mouse na imagem abaixo e compare as ferrovias da RMBH utilizadas para o transporte de passageiros em 1970 e em 2024:

De acordo com levantamento realizado por André Tenuto, até 1970, os moradores da RMBH utilizavam o trem de passageiros para acessar 28 cidades da RMBH, como Belo Horizonte, Contagem, Betim, Brumadinho, Caeté, Ibirité, Juatuba, Mário Campos, Nova Lima, Mateus Leme, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Luzia, São José da Pala, Sarzedo, Vespasiano, Barão de Cocais, Belo Vale, Itabirito, Itaúna, Moeda, Pará de Minas, Prudente de Morais, Santa Bárbara e Sete Lagoas.

Atualmente, o transporte de passageiros na região ocorre somente no trecho de Belo Horizonte a Contagem, administrado pela Metrô BH, com 28 km de extensão.

Procurada pelo BHAZ, a FCA afirmou que a empresa realiza apenas o transporte de cargas. “Qualquer operação de outra natureza que um terceiro tenha interesse em realizar, utilizando os trilhos da concessão, requer análise e autorização dos órgãos reguladores”, esclareceu. Além disso, a concessionária destacou que cabe à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANNT) analisar as demandas relacionadas à renovação antecipada do contrato de concessão da FCA.

O BHAZ também entrou em contato com a ANTT e aguarda retorno.

Utopia ou realidade?

O problema, segundo Guilherme, é histórico, uma vez que as cidades metropolitanas eram imaginadas como “um centro adensado voltado para serviços e periferias dormitório, criando um movimento pendular diário”, explicou. No entanto, na prática, esse pensamento provocou “trânsito caótico, estradas ruins, insegurança e fadiga para os que precisam se locomover entre os municípios metropolitanos”, completou.

Conforme o arquiteto e urbanista Guilherme Moretson, a volta do trem de passageiros na RMBH pode ser uma realidade. No entanto, “vem tarde, na contramão da história”, comentou. Guilherme explica que os modos de trabalho mudaram atualmente, principalmente com a adesão das empresas ao home office, o que “reduz a necessidade do movimento pendular”, justificou.

Caso vire realidade, de acordo com o arquiteto, a existência de um modal sobre trilhos na Região Metropolitana acarretaria em um transporte “muito mais seguro e confiável que o transporte rodoviário”, além de facilitar e baratear a movimentação de pessoas e cargas entre os municípios.

O BHAZ criou um infográfico interativo com dados técnicos sobre a situação dos trilhos na Região Metropolitana de BH; confira:

Design de Vinicius Martins Sampaio

De acordo com o relatório de pesquisa desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2021, a RMBH conta com aproximadamente 500 km de trilhos na RMBH. Desses, cerca de 180 km possuem potencial econômico. O estudo apontou a viabilidade da implementação de três grandes linhas que atenderiam a 21 dos 34 municípios da RMBH, abrangendo cerca de 1,9 milhão de habitantes, com potencial de transportar até 300 mil passageiros por dia.

Parque da Linha Férrea

O Governo de Minas, por meio da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Agência RMBH), juntamente com os municípios de Belo Horizonte e Nova Lima realizaram Consulta Pública para a criação do Parque da Linha Férrea.

O projeto do Parque da Linha Férrea abrange uma área de 400.000 m², com 5,2km de extensão, e tem com intuito transformar a antiga linha férrea que divide os bairros Belvedere (BH) e Vila da Serra (Nova Lima) em uma área de lazer e preservação ambiental, proporcionando um espaço verde para os moradores dos municípios.

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