Quarta-feira de leve queda no dólar, com investidores atentos aos dados do emprego

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Na manhã desta quarta-feira (26), o dólar iniciou a sessão com uma leve queda, refletindo um ambiente de incertezas no mercado financeiro.

Com os investidores atentos aos próximos dados sobre o emprego formal no Brasil, o cenário cambial segue instável, enquanto os dados de inflação, as políticas fiscais do governo brasileiro e os eventos internacionais também desempenham um papel significativo na movimentação da moeda norte-americana.

Neste artigo, vamos analisar as principais causas dessa queda no dólar, o impacto dos dados econômicos e as expectativas que estão moldando a trajetória da moeda nos próximos meses.

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O Dólar e o Impacto dos Dados Econômicos

Dólar
Imagem: Freepik

O Comportamento do Dólar nas Últimas Sessões

O dólar abriu a sessão de quarta-feira (26) em leve queda, cotado a R$ 5,7402, uma redução de 0,21%. Esse movimento de desvalorização do dólar se deu após uma série de reações aos dados divulgados e declarações de autoridades econômicas.

No dia anterior (25), a moeda norte-americana apresentou uma pequena queda de 0,03%, fechando a R$ 5,752, após oscilar pela manhã.

A principal razão para essa variação do dólar, no entanto, não foi apenas o cenário local, mas também o reflexo de acontecimentos internacionais. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas, caiu 0,36%, chegando a 106,29 pontos, o que também ajudou a pressionar o câmbio brasileiro.

O Impacto da Inflação Brasileira e os Dados do IPCA-15

Dólar contenção de gastos
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O índice de preços ao consumidor, o IPCA-15, teve um impacto significativo sobre as expectativas do mercado. O dado divulgado pelo IBGE indicou uma aceleração da inflação para 1,23% em fevereiro, comparado com o tímido 0,11% de janeiro. Esse aumento, pressionado pela conta de luz, reflete a maior variação para o período desde 2016.

Apesar de o número estar abaixo das expectativas do mercado (que esperava uma alta de 1,30%), ele gerou preocupações sobre o controle da inflação no Brasil. Esse cenário levanta a possibilidade de que o Banco Central possa precisar aumentar a taxa básica de juros, a Selic, para conter o aumento dos preços.

O Mercado de Trabalho e o Consumo

Outro fator que contribui para a movimentação do dólar foi o dado positivo sobre o emprego formal no Brasil. Em janeiro, o Brasil criou 100 mil vagas de emprego, superando as expectativas do mercado, que estimavam um crescimento de 48 mil postos de trabalho.

Esse fortalecimento do mercado de trabalho tende a estimular o consumo e a pressão sobre os preços, o que, por sua vez, afeta a política monetária do Banco Central.

O Que Esperar da Política Fiscal do Governo Brasileiro?

A agenda fiscal do governo Lula também está no radar dos investidores. Durante a semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez declarações positivas, afirmando que o governo tem condições de melhorar as contas públicas e que as reformas fiscais não perderão o ímpeto.

Contudo, ele também ressaltou que o ajuste fiscal não deve recair sobre as camadas mais vulneráveis da sociedade.

Essas declarações têm impacto direto sobre o comportamento do mercado cambial, já que qualquer sinal de que a política fiscal do governo possa aumentar os gastos públicos levanta a preocupação sobre o controle da dívida pública e da inflação.

O Dólar Frente ao Cenário Internacional

O Papel das Declarações de Donald Trump

A instabilidade no câmbio também foi afetada por eventos internacionais, em particular, pelas declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que falou sobre a imposição de tarifas sobre produtos importados do México e do Canadá.

Trump sugeriu que, se as negociações com os dois países não avançassem até o início de março, os EUA poderiam aumentar a tarifa de 25% sobre os produtos de importação desses países.

Esse tipo de declaração gera incerteza no mercado global, o que leva os investidores a buscar ativos mais seguros, como o dólar, fortalecendo a moeda norte-americana temporariamente.

A Queda de Confiança do Consumidor nos EUA

Outro fator relevante foi a queda da confiança do consumidor nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa recente, a confiança do consumidor americano atingiu o nível mais baixo em três anos e meio.

Isso fez com que os investidores passassem a considerar uma maior chance de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), o que enfraqueceria o dólar em relação às moedas globais.

O reflexo dessa pesquisa foi uma leve desvalorização da moeda americana, que também impactou diretamente o mercado cambial no Brasil.

O Impacto do Dólar na Economia Brasileira

A Reação do Mercado Brasileiro

No Brasil, o dólar fechado na terça-feira (25) com uma leve queda de 0,03%, cotado a R$ 5,752, teve um efeito direto nas bolsas de valores. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, subiu 0,46%, alcançando 125.979 pontos.

Destaques positivos ficaram com as ações da Vibra Energia, que registraram alta devido a uma melhora na rentabilidade, enquanto empresas como Marcopolo e MRV&Co apresentaram quedas.

Esses movimentos indicam que o mercado está se ajustando às expectativas econômicas e políticas, tanto internas quanto externas.

O Risco de Inflação e Aumento dos Juros

Um dos principais riscos para a economia brasileira é a pressão sobre a inflação. Caso o Banco Central precise aumentar os juros, isso pode afetar diretamente o consumo e a recuperação econômica do país.

A alta do dólar, se mantida, também pode agravar esse quadro, pois uma moeda americana mais forte encarece as importações, pressionando ainda mais os preços internos.

A Perspectiva de Crescimento e os Desafios

Com a queda do dólar e a alta dos empregos formais, o Brasil pode estar à beira de um crescimento mais robusto. No entanto, os desafios fiscais e o controle da inflação continuam sendo questões que exigem atenção.

O futuro do câmbio dependerá fortemente da gestão fiscal do governo e das condições externas, especialmente com relação à política monetária dos Estados Unidos e ao mercado global.

O Que Esperar dos Próximos Meses?

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Imagem: alexgrec – Freepik

A expectativa é de que o dólar continue a flutuar dependendo das ações fiscais do governo brasileiro e dos indicadores econômicos. O Brasil terá que navegar por um cenário de inflação elevada e possíveis aumentos nas taxas de juros, além de acompanhar o impacto das políticas externas.

Considerações finais

O dólar em queda nesta quarta-feira (26) é reflexo de um cenário dinâmico, em que os investidores estão atentos tanto aos dados locais quanto internacionais.

O comportamento da moeda norte-americana dependerá das políticas fiscais e monetárias, da evolução do mercado de trabalho e das tensões globais. Acompanhar esses movimentos será fundamental para entender as tendências no mercado financeiro brasileiro ao longo de 2025.

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