Por que o café gourmet não encareceu tanto quanto o café tradicional?

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O café, uma das bebidas mais consumidas no Brasil, tem sido um dos grandes vilões da inflação nos supermercados. Nos últimos 12 meses, o preço da commodity registrou um aumento de 40%, impactando diretamente o bolso dos consumidores. A escalada de preços é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a quebra de safra em importantes países produtores, a alta nos custos de insumos e a desvalorização do real.

O aumento da demanda global também contribui para a alta dos preços. De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Celírio Inácio, o consumo mundial cresceu significativamente, principalmente em mercados emergentes como a China, o Japão e alguns países árabes.

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Imagem: Freepik

Fatores que impulsionam a alta do café

Condições climáticas adversas

A produção de café foi severamente afetada por condições climáticas adversas, como seca prolongada e geadas intensas. No Brasil, maior produtor mundial, esses eventos climáticos impactaram a colheita, reduzindo a oferta do produto.

Alta dos insumos agrícolas

O custo dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, disparou devido a problemas na cadeia de abastecimento global e ao aumento dos preços do petróleo. Como resultado, a produção de café se tornou mais cara, repassando esse custo ao consumidor final.

Desvalorização do real

A desvalorização do real frente ao dólar também influencia diretamente os preços internos. Como o café é uma commodity negociada internacionalmente, seu preço é impactado pelas cotações globais e pela taxa de câmbio.

Aumento da demanda global

A demanda por café tem crescido em mercados emergentes, como China e Japão, aumentando a pressão sobre os estoques globais. Esse fator, aliado à menor produção, provoca uma disparada nos preços.

O papel das exportações na formação do preço

Vários grãos de café torrado
Imagem: Mark Daynes/Unsplash

Por ser um dos principais exportadores mundiais de café, o Brasil tem sua produção altamente impactada pelo mercado externo. A exportação do produto não reduz necessariamente a disponibilidade interna, mas quando a oferta é reduzida, a disputa pelo produto encarece os preços.

“A exportação não atrapalha o consumo do Brasil nem encarece o produto. Se houver mais demanda, a exportação será maior, mas se houver menor produção, a disputa será maior”, explica Celírio Inácio.

Por que o café especial não subiu tanto de preço?

Enquanto o café comum teve um aumento significativo nos preços, os cafés especiais, também chamados de gourmet, registraram reajustes mais moderados. Se antes esses produtos custavam até quatro vezes mais do que o comum, hoje essa diferença caiu pela metade.

Precificação mais estável

O mercado de café especial tem um modelo de precificação menos volátil, pois seus valores já são historicamente mais elevados. Como esse segmento atende um nicho de consumidores mais exigentes, o impacto das oscilações da commodity é menor.

Menor giro no varejo

Os cafés gourmet possuem menor giro no varejo, o que faz com que os reajustes de preços cheguem mais lentamente às prateleiras. “A renovação do estoque é mais lenta em comparação aos cafés tradicionais, que são repostos mais rapidamente”, explica Inácio.

O que esperar para 2025?

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Imagem: Freepik

A perspectiva para o próximo ano é de uma normalização na produção de café, desde que não haja novos problemas climáticos. No entanto, a produção de café arábica, principal variedade usada nos cafés especiais, pode ser menor, o que pode resultar em um aumento no preço desse segmento.

Se a tendência de maior demanda global continuar, é possível que os preços do café se mantenham elevados, embora possam apresentar alguma estabilização ao longo do ano.

Considerações finais

O aumento de 40% no preço do café reflete uma série de fatores globais e internos, como condições climáticas adversas, alta dos insumos, desvalorização do real e aumento da demanda global. Embora o impacto no bolso do consumidor seja evidente, a expectativa para os próximos anos dependerá de uma combinação entre recuperação da produção e equilíbrio entre oferta e demanda.

Enquanto isso, os consumidores devem estar atentos às tendências do mercado para se preparar para eventuais oscilações nos preços.

Imagem: Fabio Balbi / shutterstock.com

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