Por que mais empresas estão investindo em Bitcoin? A estratégia de tesouraria que está conquistando o mercado

Bitcoin

Nos últimos anos, uma nova tendência tem ganhado força no mundo corporativo: o investimento em Bitcoin como parte das estratégias financeiras de tesouraria das empresas.

O exemplo mais recente vem da brasileira Méliuz, que anunciou, no início de março, a compra de 45,72 bitcoins, no valor aproximado de US$ 4,1 milhões. Este movimento sinaliza uma mudança significativa na forma como as empresas estão enxergando o Bitcoin (BTC) e as criptomoedas como alternativas de reserva de valor e proteção contra a inflação.

Mas o que está por trás dessa tendência crescente? Por que mais empresas estão apostando em ativos digitais como o Bitcoin, e o que isso significa para o futuro das finanças empresariais?

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A estratégia de tesouraria do Méliuz: Um passo inovador

Imagem de um celular com o aplicativo da Méliuz aberto.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

O investimento do Méliuz: Detalhes do caso

No início de março de 2025, o Méliuz, empresa brasileira conhecida pelo seu modelo de cashback, surpreendeu o mercado ao anunciar que passaria a investir 10% do seu caixa em Bitcoin. A decisão gerou grande repercussão, já que a Méliuz se tornou a primeira empresa de capital aberto no Brasil a adotar essa estratégia.

A empresa comprou 45,72 bitcoins a um preço médio de US$ 90.296,11 por unidade, totalizando cerca de R$ 4,1 milhões. De acordo com a administração do Méliuz, o investimento em Bitcoin faz parte de uma nova estratégia de tesouraria com foco em crescimento de longo prazo.

Para isso, a empresa criou um comitê estratégico de bitcoin, que será responsável por avaliar novas iniciativas no universo cripto e determinar se outras alocações de caixa em ativos digitais serão realizadas.

Este movimento posiciona o Méliuz como um dos principais exemplos de empresas brasileiras dispostas a adotar criptomoedas como forma de preservação de valor e hedge contra a inflação.

O contexto global: O caso da MicroStrategy e outros exemplos

A estratégia adotada pelo Méliuz segue um movimento global iniciado pela MicroStrategy, gigante de software americana liderada por Michael Saylor. Desde 2020, a empresa comprou quase 500 mil bitcoins, o que representa uma reserva de aproximadamente US$ 42 bilhões.

A MicroStrategy não apenas abraçou o Bitcoin como uma alternativa de tesouraria, mas também se tornou um exemplo de como empresas podem utilizar a criptomoeda para diversificar suas reservas financeiras e se proteger contra o risco inflacionário.

Outras empresas, como a Tesla, de Elon Musk, e o Mercado Livre, também seguiram o exemplo de empresas pioneiras, alocando parte de seu caixa em ativos digitais. A cada ano, mais empresas ao redor do mundo estão considerando o Bitcoin como uma ferramenta legítima dentro de suas estratégias financeiras, fazendo com que o movimento ganhe força e seja cada vez mais analisado por investidores e gestores.

Bitcoin como reserva de valor: A percepção das empresas

O bitcoin é o novo ouro digital?

Para entender por que o Bitcoin está se tornando uma escolha popular para tesourarias empresariais, é fundamental analisar sua função como reserva de valor.

De acordo com Gustavo Cunha, especialista em criptomoedas e autor do livro “A Tokenização do Dinheiro”, o Bitcoin é visto por muitos como uma versão moderna do ouro — uma mercadoria escassa e resiliente que pode proteger o poder de compra ao longo do tempo.

“O Bitcoin é um ativo escasso e desinflacionário, capaz de preservar o poder aquisitivo ao longo do tempo. Comparado com o ouro, tem a vantagem de ser mais fácil de estocar e organizar”, afirma Gustavo.

Além disso, o Bitcoin oferece uma série de características que o tornam um ativo atrativo para empresas. Ele é descentralizado, durável e, ao mesmo tempo, possui vantagens em termos de divisibilidade, oferta inelástica, portabilidade e fungibilidade superiores às do ouro físico.

Para muitas empresas, essas características o tornam uma opção viável de preservação de valor, capaz de resistir a crises econômicas e instabilidades financeiras.

A visão do Méliuz sobre o bitcoin

O presidente do Conselho de Administração do Méliuz, Israel Salmen, reforça essa visão em carta enviada aos acionistas, afirmando que o Bitcoin é uma forma de dinheiro escasso e resiliente.

Segundo Salmen, o ativo digital combina as qualidades do ouro, como descentralização e escassez, com as vantagens da digitalização, permitindo uma portabilidade e liquidez superiores.

Para o Méliuz, o Bitcoin representa uma alternativa estratégica para diversificação e crescimento sustentável no longo prazo. A empresa acredita que esse movimento é parte de uma tendência crescente no mercado corporativo e segue um caminho que outras empresas em todo o mundo têm adotado, principalmente aquelas com uma visão inovadora e de futuro.

A adoção institucional de criptomoedas

criptomoedas
Imagem: Freepik

O crescimento da adoção de Criptoativos

De acordo com um estudo realizado pela EY-Parthenon e a Coinbase, que entrevistou mais de 350 investidores institucionais, cerca de 86% deles já têm exposição a ativos digitais ou planejam fazer esse tipo de alocação até 2025.

Além disso, 59% dos entrevistados afirmaram que pretendem investir mais de 5% dos recursos sob gestão em ativos digitais ou produtos relacionados. Isso demonstra uma crescente confiança e aceitação do mercado em relação às criptomoedas.

A MicroStrategy, como mencionado anteriormente, tem sido um exemplo notável dessa adoção institucional, servindo de modelo para outras empresas. Segundo Israel Buzaym, sócio do criptobanco Bitybank, muitas empresas estão começando a replicar o modelo da MicroStrategy e alocar uma parte do seu caixa em Bitcoin, seguindo um playbook que se tornou um padrão para investidores institucionais.

Riscos e desafios na adoção de bitcoin por empresas

A volatilidade do bitcoin

Embora o Bitcoin seja visto como uma alternativa atraente para reserva de valor, ele também carrega consigo uma alta volatilidade, que pode representar um risco significativo para empresas. Gustavo Cunha alerta que a natureza volátil do Bitcoin pode ser um desafio para empresas que decidem alocar parte de seus caixas no ativo digital.

Uma queda de 50% no valor do Bitcoin em um único dia, como já ocorreu em momentos de alta volatilidade, pode afetar severamente o fluxo de caixa de uma empresa.

Para mitigar esses riscos, muitas empresas optam por investimentos de longo prazo em Bitcoin, mantendo o ativo por períodos de dois anos ou mais. Isso permite uma maior estabilização dos preços e uma menor exposição à volatilidade diária do mercado de criptomoedas.

Custódia de bitcoin: Como manter a segurança dos ativos

Outro desafio significativo na adoção de Bitcoin por empresas é a custódia dos ativos digitais. As empresas precisam decidir se irão manter seus Bitcoins em exchanges especializadas, em provedores de custódia cripto ou desenvolver seus próprios sistemas de armazenamento de chaves privadas.

A escolha do método de custódia é crucial, já que qualquer falha nesse processo pode resultar em perda dos ativos.

Considerações finais: O futuro do bitcoin nas tesourarias empresariais

A crescente adoção do Bitcoin por empresas, como o Méliuz, e gigantes globais como a MicroStrategy, Tesla e Mercado Livre, demonstra que o ativo digital está se consolidando como uma alternativa estratégica no mercado corporativo.

A percepção do Bitcoin como reserva de valor e sua natureza desinflacionária são fatores-chave que têm atraído a atenção das empresas. No entanto, a volatilidade e os desafios de custódia exigem uma abordagem cautelosa e planejada.

A tendência é que, à medida que a aceitação institucional de criptoativos cresce, mais empresas comecem a adotar o Bitcoin como parte de suas estratégias financeiras, mas sempre com um foco em planejamento de longo prazo, análise de riscos e estruturas de governança robustas.

Portanto, o futuro do Bitcoin nas tesourarias empresariais parece promissor, mas requer estratégias bem estruturadas, com visão de longo prazo e uma boa compreensão dos riscos envolvidos.

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