Aumento nas taxas da Shein abre portas para o crescimento de varejistas nacionais

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A popular “taxa das blusinhas”, como ficou conhecido o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, começou a gerar efeitos concretos no comportamento do consumidor brasileiro. A Shein, gigante chinesa do comércio eletrônico de moda, que liderava com folga a preferência nacional, agora vê sua vantagem diminuir diante da concorrência de varejistas nacionais.

Segundo pesquisa do banco de investimentos UBS BB, divulgada pelo jornal O Globo, a nota média da Shein caiu de 44,6% para 40% em um ano, enquanto empresas como C&A, Renner e Riachuelo apresentaram crescimento nos índices de intenção de compra — impulsionadas justamente pelas novas regras de tributação.

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Um computador com o site da Shein aberto, sobre ele está uma lupa focando no logo da Shein.
Imagem: II.studio / Shutterstock.com

O que é a “taxa das blusinhas”?

Tributação federal e estadual sobre compras internacionais

A partir de agosto de 2024, o governo federal instituiu um imposto de importação de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, que antes eram isentas dessa cobrança. Essa medida, parte do programa Remessa Conforme, também inclui o ICMS estadual de 17%, que está prestes a subir para 20% em 2025, tornando as importações ainda mais caras para os consumidores.

Na prática, o consumidor que antes pagava R$ 100 por um produto da Shein, por exemplo, passou a pagar até R$ 140 com tributos — o que reduziu a percepção de custo-benefício de marcas estrangeiras.

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A pesquisa, baseada em 15 critérios de decisão de compra, mostra que embora a Shein ainda lidere, a sua nota caiu significativamente. Confira os números:

  • Shein: de 44,6% em 2023 para 40% em 2024
  • C&A: de 34,4% para 36%
  • Renner: de 32% para 34%
  • Riachuelo: de 30% para 32%

Os autores do estudo atribuem o desempenho das varejistas nacionais à redução da competitividade de preços das plataformas internacionais, consequência direta da nova política tributária.

Como as varejistas nacionais estão reagindo?

Adaptação e reposicionamento no mercado

As redes C&A, Renner e Riachuelo não apenas se beneficiaram da queda no apelo das concorrentes internacionais, como também vêm investindo em novos formatos de venda, como:

  • Marketplace digital próprio;
  • Integração entre lojas físicas e e-commerce;
  • Entrega rápida e gratuita para fidelização do cliente;
  • Promoções agressivas e cashback.

Além disso, o fator confiança tem se mostrado importante. Os consumidores têm demonstrado maior segurança ao comprar em marcas já estabelecidas, com políticas de troca mais claras e ausência de taxas de importação.

Acessibilidade em queda: Shein perde vantagem competitiva

Mão segurando celular com app da Shein aberto
Imagem: Funstock/ Shutterstock.com

Tributos encarecem produtos de baixo valor

Segundo o UBS BB, a taxa de importação teve impacto direto em dois dos principais diferenciais das plataformas como a Shein:

  • “Bom custo-benefício”;
  • “Preços acessíveis”.

A remessa de pequeno valor, que era isenta de impostos federais, representava grande parte das vendas da Shein no Brasil. Com a cobrança de 20% de imposto de importação e até 20% de ICMS, os produtos perderam atratividade, especialmente entre os consumidores de baixa renda — principal público da varejista.

Governo defende medida como forma de equilíbrio de mercado

Tributação busca reduzir disparidade com varejo nacional

A justificativa do governo para a nova taxação é baseada em equidade fiscal e proteção da indústria nacional. Até julho de 2024, compras internacionais abaixo de US$ 50 estavam isentas de imposto de importação, o que causava concorrência desleal com varejistas brasileiros, sujeitos a impostos e encargos trabalhistas mais altos.

A expectativa do governo é de que a medida:

  • Aumente a arrecadação;
  • Estimule a indústria têxtil nacional;
  • Fortaleça a concorrência justa no setor de moda.

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Aumento de 17% para 20% agrava custos

Além do imposto federal, a expectativa para 2025 é de que o ICMS estadual sobre remessas internacionais passe de 17% para 20%. Esse ajuste foi aprovado por vários estados como forma de aumentar a arrecadação frente à queda no consumo interno.

Na prática, isso significa que um produto de R$ 100 vindo do exterior passará a custar até R$ 144, considerando:

  • 20% de Imposto de Importação → R$ 20
  • 20% de ICMS sobre o total (R$ 120) → R$ 24

Plataformas internacionais buscam se adaptar

Shein investe em produção local e centros de distribuição no Brasil

Diante da perda de competitividade, a Shein anunciou medidas para internalizar parte de sua operação no país. Entre elas:

  • Parcerias com fabricantes brasileiros;
  • Implantação de centro de distribuição em SP e CE;
  • Campanhas de marketing localizadas para fidelização.

A empresa também busca entrar em acordos com o governo federal para reduzir burocracias e tornar suas operações mais sustentáveis no Brasil a longo prazo.

O que pensam os consumidores?

Pesquisa aponta insatisfação com custos adicionais

Desde a implementação da nova taxa, consumidores vêm expressando descontentamento nas redes sociais. Termos como “desistir da Shein” ou “taxa injusta” ganharam força, especialmente entre jovens de baixa renda, público que mais usava plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

Algumas percepções comuns:

  • “A Shein era barata, agora está igual às lojas do shopping.”
  • “Prefiro comprar aqui e não pagar imposto.”
  • “R$ 150 virou R$ 200 depois da taxa.”

O futuro da moda digital no Brasil

A imagem mostra várias mini caixas, em cima de um notebook, com desenhos de carrinho de compras e algumas escritas " on-line shopping".
Imagem: William Potter / Shutterstock.com

Nova fase exige adaptação e reposicionamento

A mudança no cenário tributário obriga varejistas internacionais a reverem suas estratégias no Brasil, ao mesmo tempo em que abre oportunidades para o comércio local se fortalecer.

Empresas que conseguirem oferecer:

  • Preços acessíveis,
  • Boa experiência digital,
  • Entrega rápida
  • Confiança na pós-venda

têm grande chance de crescer em um mercado que busca equilíbrio entre qualidade, preço e praticidade.

Imagem: Naletova Elena / Shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

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