Remédios vão ficar mais caros a partir de segunda-feira (31)

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A partir da próxima segunda-feira (31), os preços dos medicamentos em todo o Brasil sofrerão reajuste, afetando consumidores e empresas do setor farmacêutico. A estimativa divulgada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) aponta para um aumento de até 5,06% no valor dos medicamentos.

Abaixo, vamos explorar as razões para este aumento, como ele pode impactar o bolso do consumidor e as estratégias adotadas pelas farmacêuticas.

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O cálculo do reajuste

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Imagem: Billion Photos / shutterstock.com

O reajuste autorizado para os medicamentos é determinado anualmente pela Cmed, com base em uma fórmula específica que leva em consideração a inflação do período. O indicador utilizado é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a variação dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.

A fórmula do reajuste de medicamentos

O cálculo do reajuste de medicamentos é complexo e envolve diversos fatores. A fórmula considera a inflação do IPCA, que é descontada da produtividade da indústria farmacêutica. Além disso, custos de produção que não são captados pelo IPCA, como a variação cambial, tarifas de energia elétrica e os preços de insumos, também são levados em conta.

A variação do preço de medicamentos, portanto, não é definida apenas pelo aumento dos custos, mas também pela competitividade do setor. O mercado farmacêutico é segmentado em três faixas de ajuste, baseadas no nível de concentração do mercado. Isso significa que, em mercados mais competitivos, o aumento de preços tende a ser mais controlado.

O impacto no bolso do consumidor

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Apesar do aumento de até 5,06% ser o teto, a expectativa é de que o reajuste médio fique em torno de 3,48%. Este valor representa o menor reajuste desde 2018, o que pode aliviar parcialmente o impacto no bolso dos consumidores. No entanto, mesmo com esse reajuste moderado, os consumidores ainda enfrentarão aumentos no preço dos medicamentos, o que pode ser um desafio, especialmente para aqueles que dependem de medicamentos de uso contínuo.

Como os preços são repassados ao consumidor

O impacto do aumento de preços pode variar dependendo de vários fatores. Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), as empresas do setor farmacêutico podem adotar diferentes estratégias para repassar os aumentos. Em mercados altamente competitivos, o repasse pode ser gradual ou até mesmo absorvido pelas próprias empresas, de modo a evitar perdas de competitividade.

Além disso, medicamentos com o mesmo princípio ativo e destinados ao mesmo tipo de tratamento são comercializados por diversas empresas. Essa concorrência tende a exercer um efeito regulador nos preços, fazendo com que as farmacêuticas ajustem seus preços com cautela.

Estratégias para minimizar o impacto

Para quem depende de medicamentos de uso contínuo, a recomendação é pesquisar preços, comparar diferentes marcas e aproveitar promoções. Além disso, muitos laboratórios e farmácias oferecem programas de descontos, que podem ser uma boa alternativa para reduzir os custos, principalmente em períodos de reajuste.

O papel da concorrência no setor farmacêutico

A concorrência no setor farmacêutico desempenha um papel crucial no controle dos preços. Como há muitas opções de medicamentos disponíveis para os mesmos tratamentos, os consumidores têm a possibilidade de escolher entre diferentes marcas e pontos de venda. Isso favorece a concorrência e pode diminuir o impacto de aumentos de preços.

O controle de preços no setor farmacêutico

O setor farmacêutico é o único segmento de bens de consumo no Brasil que está sujeito a controle de preços, o que significa que as indústrias farmacêuticas só podem reajustar os preços de seus produtos uma vez por ano. Esse controle tem como objetivo garantir que os aumentos de preços não sejam abusivos e que o mercado continue acessível para os consumidores.

O controle de preços também busca equilibrar as contas das empresas do setor. O Sindusfarma, em nota, destacou as dificuldades enfrentadas pelas farmacêuticas para equilibrar os custos, uma vez que o reajuste acumulado de preços de medicamentos, na série histórica, ficou abaixo da inflação geral medida pelo IPCA.

O histórico de reajustes no setor

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Imagem: i viewfinder/ Shutterstock

O ano de 2025 marca um ajuste mais baixo no histórico recente. Em 2024, o reajuste máximo autorizado foi de 4,5%, o menor patamar desde 2020. Apesar de o reajuste de 2025 ser inferior, ainda assim representa um aumento significativo para quem depende de medicamentos regulares.

Os reajustes de preços de medicamentos são uma realidade no mercado brasileiro, mas o controle e as medidas tomadas pelas autoridades buscam garantir que esses aumentos não se tornem insustentáveis para a população.

Conclusão

O reajuste de preços de medicamentos, que entra em vigor em 31 de março de 2025, vai impactar consumidores, especialmente aqueles que utilizam medicamentos de uso contínuo. Embora o aumento de preços seja inevitável, a concorrência no setor farmacêutico pode ajudar a minimizar o impacto. Além disso, estratégias como pesquisa de preços, programas de descontos e promoções podem ser úteis para quem precisa se adaptar ao novo cenário.

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