Defensoria Pública processa clínica de dentista que provocou surto de bactérias em BH

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) ajuizou Ação Civil Pública contra os proprietários da Clínica Odontológica Dra. Camilla Groppo, investigados por irregularidades na realização de procedimentos estéticos em Belo Horizonte. A polícia confirmou que a dentista fez pelo menos 18 vítimas de lesão corporal, e três de lesão grave.

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A DPMG tomou conhecimento do fato ao atender um grupo de pacientes que fez lipoaspiração mecânica de papada e bichectomia na clínica entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024.  

As consumidoras relataram ter sido atraídas por propagandas da clínica nas redes sociais, que anunciavam a dentista responsável como especialista nos procedimentos e prometia cirurgias rápidas, indolores e sem risco para a saúde, sendo possível retornar à rotina no mesmo dia. Os preços praticados eram altamente convidativos.  

No entanto, logo no pós-operatório, inúmeras pacientes apresentaram quadros infecciosos graves e tiveram de se submeter a internações e a tratamentos médicos custosos e prolongados, além de conviverem com cicatrizes no rosto e pescoço. 

Conforme aponta a Defensoria no documento, a clínica fazia agendamentos e procedimentos sem avaliação prévia e não prestava informações sobre riscos, indicando para o pós-operatório apenas a realização de sessões de drenagem no próprio estabelecimento.   

Os problemas de saúde decorrentes para as pacientes foram muitos: edemas, caroços, dores fortes, febre e outros sintomas decorrentes de infecções por bactérias resistentes. Em razão disso, diversas pacientes passaram por períodos sucessivos de internações, tiveram que realizar cirurgias e fazem tratamento com antibióticos até hoje. 

Riscos à saúde

Relatos colhidos pela Defensoria, declarações de vítimas no inquérito policial, assim como relatórios de inspeções da Vigilância Sanitária aindicaram que o espaço operava sem produtos básicos de higiene ou procedimentos adequados de esterilização dos instrumentos cirúrgicos. 

As falhas na esterilização foram identificadas como origem do surto infeccioso por micobactérias de crescimento rápido. “Observou-se também a conduta dos responsáveis de evitar que as pacientes buscassem auxílio médico especializado, além de sonegar a entrega dos prontuários aos órgãos de saúde, agravando os riscos e retardando os tratamentos”, informou a Defensoria Pública. 

“A gravidade da situação e as repercussões negativas para a sociedade foram de tal monta que exigiram respostas articuladas de órgãos de saúde do Município, do Estado e da União. Houve ainda sobrecarga para hospitais e unidades de pronto-atendimento públicos, haja vista que muitas das vítimas foram internadas e atendidas nesses estabelecimentos do SUS”, continua em comunicado. 

Ação Civil Pública

A Defensoria Pública identificou, assim, que os lucros obtidos pelos sócios da empresa com suas posturas ilícitas no mercado de consumo causaram um risco para toda a sociedade, em razão da propagação do surto infeccioso, além de prejuízos e gastos para o sistema de saúde pública. 

Diante disso, a DPMG, por meio de sua Coordenadoria Estratégica de Tutela Coletiva (CETUC), requer na Ação Civil Pública, dentre outros pedidos:  

  • Bloqueio imediato de bens dos réus, em valor não inferior a R$ 2.500.000 (dois milhões e quinhentos mil reais), visando garantir a compensação dos danos individuais sofridos pelas pacientes, bem como os prejuízos coletivos; 
  • Indenização por danos morais coletivos, em valor não inferior a R$ 500.000 (quinhentos mil reais), a ser destinado ao Fundo Municipal de Saúde de Belo Horizonte; 
  • Condenação dos responsáveis à indenização dos danos morais, materiais e estéticos causados às consumidoras.  

Dentista indiciada

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou, em julho de 2024, a dentista Camilla Groppo pelos crimes de lesão corporal leve, lesão corporal grave e uso de documento falso. 

Em conversa com o BHAZ, o delegado responsável pelo caso, Alessandro Santa Gema, que explicou que Camilla não possui diploma de especialização em lipo de papada. Segundo ele, nem mesmo os professores nomeados no documento existem.

“Nós descobrimos que o diploma dela de especialização em lipoaspiração de papada é falso. Há uma declaração da faculdade onde consta que o diploma apresentado é falso. Os professores não existem. Inclusive, foi feito um boletim de ocorrência em São Paulo que acusa [a dentista] por uso de documento falso”, afirmou.

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