Pix em cartões de débito e crédito? Entenda proposta

Pix

A indústria de cartões de pagamento no Brasil está prestes a dar um passo inédito ao tentar incorporar o Pix diretamente no cartão físico. A proposta, em discussão com o Banco Central (BC), visa transformar o tradicional cartão em uma ferramenta com três funções: crédito, débito e Pix, aumentando ainda mais a praticidade para o consumidor.

A ideia é simples: permitir que o usuário realize transações via Pix por aproximação, usando o cartão físico como faria em compras por débito. Porém, apesar do entusiasmo da indústria, a funcionalidade ainda depende da publicação de uma norma pelo BC que autorize esse novo uso.

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Como funcionaria o Pix no cartão?

pix no cartão de crédito
Imagem: Diego Thomazini / Shutterstock.com

Terceira função no mesmo plástico

O projeto consiste em adicionar o Pix como uma terceira modalidade no mesmo cartão onde já existem as funções de débito e crédito. Segundo Giancarlo Greco, presidente da bandeira Elo e também da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), isso poderia impulsionar o Pix por aproximação, uma funcionalidade ainda pouco utilizada no país.

“Para o cliente, o Pix no cartão funcionaria como o débito — o valor sai direto da conta corrente. Mas, para o estabelecimento, a liquidação é imediata, o que representa uma vantagem significativa”, afirmou Greco durante o 18º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (Cmep), realizado em São Paulo.

Benefícios para comerciantes e consumidores

Para o consumidor:

  • Agilidade na hora de pagar
  • Não precisa abrir o aplicativo bancário
  • Pode usar o mesmo cartão para três funções

Para o estabelecimento:

  • Liquidação instantânea do Pix
  • Redução de custos com intermediários
  • Potencial queda no número de fraudes

“Hoje, o débito pode demorar até dois dias para cair na conta do lojista. Com o Pix, o valor é creditado em tempo real”, destacou o executivo da Abecs.

A tramitação com o Banco Central

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Imagem: Freepik e Canva

O que falta para o Pix no cartão virar realidade?

A implementação ainda não está prevista no escopo atual do Pix, que foi desenvolvido para uso via aplicativos bancários e QR Codes. Para rodar os testes-piloto com o novo modelo, a autorização formal do BC é imprescindível.

“O Banco Central está analisando não apenas os aspectos regulatórios, mas também os aspectos técnicos e operacionais”, revelou Greco.

A proposta já foi debatida com bancos emissores e credenciadoras, e agora está sob avaliação da nova diretoria do Banco Central, com quem o setor retomou o diálogo no início de 2025.

Pix por aproximação: tecnologia ainda engatinhando

A barreira dos dispositivos com NFC

Um dos principais obstáculos para o crescimento do Pix por aproximação é a baixa penetração de dispositivos com tecnologia NFC (Near Field Communication), como celulares ou smartwatches.

Segundo dados da Abecs:

  • 73% dos pagamentos por aproximação no Brasil são feitos com cartões físicos
  • Apenas 22% dos portadores de cartões utilizam carteiras digitais para realizar pagamentos

“Trazer o Pix para o cartão de plástico é uma forma de contornar o problema de acesso limitado à tecnologia de aproximação nos smartphones”, explicou o executivo.

Segurança e potencial de inovação

Pix no cartão pode reduzir fraudes

Outro benefício apontado pela indústria é o aumento da segurança nas transações. Diferente do app, onde o Pix depende exclusivamente do ambiente digital do banco, o cartão com chip permite camadas adicionais de proteção, já aplicadas em crédito e débito.

“Se conseguirmos adaptar ferramentas antifraude ao Pix, como acontece hoje com o crédito, será possível até disputar uma transação fraudulenta”, disse Greco.

E quanto às tarifas?

A questão do custo do serviço é delicada. Atualmente, o Pix entre pessoas físicas é gratuito, mas empresas já pagam tarifas, que variam de acordo com o banco.

No caso do Pix no cartão, não está definido quem pagaria pelo serviço — o lojista, o banco emissor ou o próprio consumidor.

“Isso precisa ser muito bem discutido. Podemos até falar em cobrança de taxa, mas só se houver valor agregado para todas as partes envolvidas”, ponderou o presidente da Abecs.

Crescimento do uso de cartões no Brasil

Dados da Abecs em 2024

Apesar dos desafios, o uso de cartões continua crescendo no país. Em 2024, o volume de transações com cartões atingiu:

  • R$ 4,1 trilhões em pagamentos
  • Média de 125 milhões de transações por dia
  • Parcelamento sem juros representou 41% das compras no crédito
  • R$ 1,3 trilhão em valor movimentado por parcelamentos

Fraudes em queda

Segundo levantamento da Abecs, as fraudes com cartões caíram 18% em 2024, considerando o volume de transações. Em quantidade, a redução foi de 15% em relação ao ano anterior.

“Isso mostra que os investimentos em segurança e tecnologia estão funcionando e podem ser expandidos para outras formas de pagamento, como o próprio Pix”, destacou Greco.

Expectativas do mercado para 2025

pix
Imagem: Freepik e Canva

O que esperar da regulamentação?

O mercado espera que o Banco Central publique ainda em 2025 uma norma específica para autorizar a funcionalidade Pix no cartão, estabelecendo regras para:

  • Funcionamento técnico da transação
  • Segurança e autenticação
  • Definição de responsabilidades entre emissores, credenciadoras e bandeiras
  • Eventuais modelos tarifários

Com isso, o setor de cartões poderia iniciar pilotos controlados em algumas regiões e com emissores selecionados.

Potencial para inclusão financeira

A proposta também pode ajudar a democratizar o acesso ao Pix, especialmente para:

  • Pessoas sem smartphones compatíveis
  • População idosa com dificuldades tecnológicas
  • Pequenos comércios que ainda operam com maquininha tradicional

“É uma inovação com potencial de inclusão financeira real, não apenas uma melhoria cosmética”, concluiu Greco.

Considerações finais

A possibilidade de usar o Pix diretamente no cartão físico pode representar uma revolução nos meios de pagamento no Brasil. Com mais praticidade, liquidação instantânea e segurança aprimorada, a nova funcionalidade promete beneficiar consumidores, lojistas e o sistema financeiro como um todo.

No entanto, tudo ainda depende de um passo essencial: o aval do Banco Central, que analisa com cautela os impactos técnicos e regulatórios da proposta.

Se aprovada, essa inovação pode fazer com que o Pix atinja níveis ainda maiores de popularidade, expandindo seu uso para públicos que hoje estão à margem das novas tecnologias.

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