Vapor de gasolina é perigoso? Pesquisa indica possível relação com câncer

Mão segurando bomba de combustível

A exposição contínua ao vapor de gasolina pode representar um risco significativo à saúde, especialmente para trabalhadores que lidam diretamente com combustíveis. Um estudo publicado pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) revelou uma possível relação entre a inalação dos vapores e o desenvolvimento de câncer de bexiga e leucemia mieloide aguda. Além disso, a pesquisa aponta para evidências limitadas de que outros tipos de doenças também possam estar associadas a essa intoxicação.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçou as conclusões do estudo e recomendou a redução da exposição ocupacional à gasolina, alertando para a necessidade de práticas mais seguras no setor.

Os riscos do vapor de gasolina para a saúde

Mão de uma pessoa abastecendo o carro em posto de gasolina
Imagem: Pavel Kubarkov/shutterstock.com

O que compõe a gasolina e por que é perigosa?

A gasolina é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, contendo substâncias químicas tóxicas e potencialmente cancerígenas, como o benzeno. Esse componente, em particular, já foi amplamente estudado e reconhecido como um agente cancerígeno humano. Quando inalada, a gasolina pode afetar o sistema respiratório e circulatório, além de aumentar o risco de doenças graves a longo prazo.

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Exposição prolongada e impactos no organismo

Os vapores da gasolina podem ser absorvidos pelo organismo principalmente por inalação, afetando trabalhadores de postos de combustíveis, transportadores e funcionários de refinarias. A exposição constante pode levar a problemas como:

  • Irritação nos olhos, nariz e garganta
  • Tonturas e náuseas
  • Dores de cabeça frequentes
  • Danos ao sistema nervoso central
  • Aumento do risco de câncer, especialmente de bexiga e leucemia mieloide aguda

Trabalhadores mais vulneráveis

Frentistas e a exposição diária aos vapores

Entre os grupos mais vulneráveis à exposição aos vapores de gasolina, os frentistas estão entre os mais afetados. Eles inalam o combustível diariamente, muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados.

A epidemiologista Ubirani Otero, do INCA, destaca que um dos hábitos comuns dos consumidores pode agravar ainda mais esse risco: pedir para encher o tanque “até a boca”. Esse procedimento obriga o frentista a se aproximar do tanque para ouvir o nível do combustível, aumentando a exposição ao vapor.

Outros profissionais em risco

Além dos frentistas, outros trabalhadores também estão expostos de maneira significativa aos vapores da gasolina, incluindo:

  • Motoristas de caminhão-tanque
  • Trabalhadores em refinarias de petróleo
  • Funcionários de empresas de distribuição de combustíveis

Esses profissionais lidam com a gasolina em grandes volumes, o que pode resultar em uma absorção maior das substâncias tóxicas.

Posicionamento do INCA e medidas preventivas

Recomendação para reduzir a exposição

Após a publicação do estudo da IARC, o INCA reforçou a necessidade de medidas para diminuir a exposição ocupacional à gasolina. Entre as principais recomendações estão:

  • Implementação de processos de trabalho mais seguros
  • Uso de equipamentos de proteção individual (EPIs)
  • Substituição gradual da gasolina por combustíveis menos tóxicos

A instituição também alerta que não há níveis seguros de exposição a agentes reconhecidamente cancerígenos, o que reforça a necessidade de regulamentação mais rígida no setor.

O papel da ANP e ABNT na regulamentação

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) são responsáveis pela definição das normas de segurança para o manuseio e transporte de combustíveis no Brasil. Após a divulgação do estudo e das recomendações do INCA, questionamentos surgiram sobre possíveis atualizações nas normas existentes.

Até o momento, não há resposta oficial das instituições sobre novas medidas a serem adotadas. Entretanto, especialistas defendem a necessidade de revisões nas diretrizes para aumentar a proteção dos trabalhadores.

Alternativas e soluções para reduzir os riscos

Imagem de uma pessoa abastecendo um carro em posto da Petrobrás.
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

Tecnologias para combustíveis mais seguros

Com os avanços tecnológicos, a busca por alternativas mais seguras e sustentáveis tem ganhado destaque. Algumas soluções que podem reduzir os riscos incluem:

  • Uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel
  • Desenvolvimento de gasolina com menor teor de benzeno
  • Investimento em veículos elétricos para reduzir a dependência de combustíveis fósseis

Medidas para trabalhadores e consumidores

Para minimizar a exposição aos vapores da gasolina, algumas práticas simples podem ser adotadas:

  • Evitar abastecer o carro além do limite recomendado pelo fabricante
  • Garantir que os postos de combustíveis possuam ventilação adequada
  • Implementar treinamentos sobre segurança no trabalho para frentistas e demais profissionais do setor

Considerações finais

A pesquisa da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer acendeu um alerta importante sobre os riscos da exposição ao vapor de gasolina, especialmente para trabalhadores diretamente envolvidos no setor de combustíveis. O estudo reforça a necessidade de regulamentações mais rigorosas e adoção de práticas que reduzam a inalação de substâncias cancerígenas.

Enquanto não há uma substituição total da gasolina, medidas preventivas devem ser priorizadas para minimizar os impactos à saúde. A conscientização tanto dos trabalhadores quanto dos consumidores é essencial para que mudanças sejam implementadas e riscos sejam reduzidos.

A resposta das entidades reguladoras será determinante para a proteção dos profissionais do setor e para a evolução das normas de segurança relacionadas ao manuseio de combustíveis.

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