Starlink vs Apple: disputa pode afetar internet via satélite nos iPhones

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A crescente demanda por conectividade em locais remotos tem levado gigantes da tecnologia a apostar cada vez mais em soluções baseadas em satélite.

A Apple, por exemplo, já oferece a função de SOS de emergência via satélite em seus iPhones mais recentes, em parceria com a Globalstar. No entanto, o que poderia ser um novo capítulo de inovação no setor se transformou em um embate corporativo de grandes proporções.

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A DISPUTA POR FREQUÊNCIAS NA FCC

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Imagem: Saulo Angelo/Thenews2/Folhapress

Starlink contesta pedido da Apple

A disputa entre a Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX (de Elon Musk), e a Apple ganhou os holofotes após reportagem publicada pelo Wall Street Journal. Segundo a publicação, a Starlink quer impedir que a FCC (Federal Communications Commission), o órgão regulador de telecomunicações dos EUA — equivalente à Anatel no Brasil — conceda à Apple novas licenças para uso das bandas de 1,6 GHz e 2,4 GHz.

Essas frequências são consideradas estratégicas para a expansão dos serviços via satélite, como mensagens, chamadas e dados em áreas sem cobertura terrestre. A Apple, em parceria com a Globalstar, planeja utilizá-las para aprimorar suas funcionalidades de comunicação direta por satélite nos iPhones. Contudo, a Starlink argumenta que o pedido é prematuro e poderia afetar sua própria operação.

O temor de interferências

A principal alegação da Starlink é que o uso exclusivo dessas frequências pela Apple e pela Globalstar criaria um cenário monopolizado e inflexível. Como alternativa, Elon Musk e sua equipe sugerem que a FCC opte por um modelo de compartilhamento de espectro, permitindo que diferentes operadoras usem as mesmas bandas de forma coordenada.

Por outro lado, a Globalstar se opõe firmemente a essa proposta, temendo interferências nos sinais que poderiam prejudicar a qualidade e estabilidade dos serviços prestados aos usuários do iPhone.

POSICIONAMENTO DAS EMPRESAS

Apple evita confronto direto, mas confirma tensão

Em comunicado oficial, a Apple declarou:

“Os nossos recursos de satélite são projetados para complementar as ofertas das operadoras, oferecendo aos usuários ainda mais maneiras de se manterem conectados.”

Embora não tenha comentado diretamente sobre a disputa com a Starlink, fontes internas da empresa de Cupertino revelaram ao Wall Street Journal que a tensão é real. Executivos da Apple estão preocupados com possíveis favorecimentos políticos à Starlink, especialmente após Elon Musk ter estreitado sua relação com o ex-presidente Donald Trump, que atualmente volta a influenciar decisões em órgãos reguladores.

Starlink quer fatia maior do mercado

Por sua vez, a Starlink enxerga no compartilhamento das bandas uma forma de nivelar o mercado e garantir que o avanço da tecnologia via satélite ocorra de maneira inclusiva e competitiva. Vale lembrar que a Starlink já firmou parcerias com a T-Mobile, o que permitiria que aparelhos como o iPhone também se conectem à sua rede em áreas sem cobertura celular.

O QUE ESTÁ EM JOGO

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Imagem: Freepik e Canva

A nova era da conectividade via satélite

Nos últimos anos, as comunicações via satélite deixaram de ser exclusivas de sistemas militares ou equipamentos de emergência. Com o lançamento de smartphones que suportam essa tecnologia, como os iPhones mais recentes, abre-se um novo mercado bilionário voltado à segurança do usuário comum e à expansão da conectividade global.

Nesse contexto, o controle sobre frequências específicas se torna um dos ativos mais valiosos do setor de telecomunicações. Quem tiver acesso privilegiado a essas bandas poderá oferecer serviços diferenciados, mais estáveis e com maior cobertura — especialmente em áreas rurais, montanhosas ou isoladas.

Apple amplia busca por parceiros alternativos

Diante da resistência da Starlink, a Apple estaria ampliando sua busca por novos parceiros no setor de satélites, segundo fontes do Wall Street Journal. Entre os nomes especulados estão a Boeing e a EchoStar, duas gigantes com atuação consolidada no mercado aeroespacial e de telecomunicações.

A movimentação indica que a Apple quer manter suas opções abertas e evitar dependência excessiva da Globalstar. Caso consiga dividir seus contratos entre diferentes operadoras de satélite, a empresa pode acelerar o desenvolvimento de novos recursos — como chamadas de voz via satélite, transmissão de dados e rastreamento avançado de localização.

AÇÕES POLÍTICAS E IMPACTO REGULATÓRIO

Musk e o governo Trump

O envolvimento de Elon Musk com a política norte-americana ganhou destaque nos últimos meses. Com sua aproximação de Trump e influência crescente em decisões estratégicas, existe o receio de que a FCC adote medidas favoráveis à Starlink, inclusive rejeitando ou postergando o pedido da Apple e da Globalstar.

A eventual interferência política levanta dúvidas sobre a neutralidade das decisões da agência reguladora, o que preocupa não apenas a Apple, mas também analistas e concorrentes da Starlink.

O FUTURO DOS IPHONES COM TECNOLOGIA SATELITAL

O iPhone 16e e os próximos passos

Atualmente, modelos como o iPhone 16e, à venda na Amazon por cerca de R$ 4.299, já oferecem suporte à função SOS de emergência via satélite. O recurso tem sido elogiado por especialistas em segurança e emergências, mas ainda é limitado — sendo acionado apenas em situações críticas e sem possibilidade de envio contínuo de dados.

A expectativa da Apple é que, com a aprovação da FCC, os próximos modelos possam oferecer:

  • Mensagens regulares via satélite;
  • Chamadas de voz em tempo real em áreas sem sinal terrestre;
  • Conectividade de dados limitada (como navegação GPS e envio de localização);
  • Integração com apps nativos para comunicação em campo e esportes de aventura.

Contudo, tudo isso depende diretamente do desfecho da disputa com a Starlink.

MERCADO GLOBAL E O IMPACTO NO BRASIL

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Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com

Efeitos da decisão americana no cenário brasileiro

Embora o embate esteja concentrado nos Estados Unidos, uma decisão da FCC pode influenciar órgãos reguladores como a Anatel. Isso porque a homologação de equipamentos e frequências muitas vezes segue padrões técnicos globais. Se a Apple for impedida de usar certas bandas nos EUA, há chance de o Brasil também limitar o uso da tecnologia por aqui.

Por outro lado, se a Apple conquistar o aval da FCC, o Brasil pode ser um dos primeiros países fora dos EUA a receber a expansão dos recursos via satélite no iPhone, visto o alto número de usuários da marca no país e o grande território com áreas de baixa cobertura de rede.

Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

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