Mel e diabetes: aliado ou vilão? A verdade que você precisa conhecer para proteger sua glicemia

O mel, um adoçante natural com fama de saudável e repleto de benefícios, pode ser um aliado ou um vilão traiçoeiro para quem tem diabetes. A dúvida é constante: diante de tantas informações conflitantes, como saber se é seguro consumir mel e quais cuidados tomar para não desestabilizar a glicemia?

Pote de mel

Descubra se pessoas com diabetes podem ou não consumir mel – Foto: Getty Images/ND

Perfil nutricional do mel

O mel, produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores, passa por uma transformação fascinante dentro da colmeia, quebrando-se em açúcares mais simples. Embora seja celebrado por suas origens naturais e sabor distinto, é crucial entender seu perfil nutricional.

A agência regulatória americana, FDA (Food and Drug Administration), classifica o mel como um “açúcar adicionado” nos rótulos nutricionais. Essa designação significa que o mel não está naturalmente presente nos alimentos ou bebidas, mas é incorporado durante o processamento para aumentar o dulçor.

Nutricionalmente, o mel é, primeiramente, uma fonte de carboidratos, predominantemente na forma de glicose e frutose. De acordo com os valores típicos, uma única colher de sopa de mel fornece:

  • 61 calorias
  • 17 gramas de açúcar
  • 17 gramas de carboidratos totais
  • Traços de proteína (0,06 gramas)
  • Quantidade mínima de fibra (0,04 gramas)
Abelhas fazendo mel na colmeia

O mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores – Foto: Getty Images/ND

Embora o mel também contenha vestígios de vitaminas e minerais, como potássio, cálcio, zinco e vitamina C, bem como antioxidantes, eles não estão presentes em quantidades significativas para tornar o mel uma fonte primária desses micronutrientes. Portanto, seu principal impacto nos níveis de açúcar no sangue decorre do seu teor de carboidratos.

“Quando a gente pensa no mel, normalmente pensa que é um alimento  antioxidante, antiinflamatório, que as abelhas produzem. Um alimento natural que pode trazer benefícios para nossa imunidade, ajudar em um resfriado. Mas o mel é basicamente um carboidrato puro e ele vai impactar no nível de açúcar do seu sangue”, explicou a nutricionista Patrícia Leite.

Entenda o impacto do mel nos níveis de glicose no sangue

Embora o mel possua propriedades antioxidantes e seja considerado um alimento natural, ele é rico em carboidratos, o que exige cautela por parte de quem tem diabetes.

  • Alto teor de carboidratos exige atenção redobrada: uma colher de sopa de mel contém mais carboidratos do que a mesma quantidade de açúcar de mesa.
  • Índice glicêmico mais baixo não libera o consumo irrestrito: a frutose presente no mel confere um IG ligeiramente inferior, mas a quantidade total de carboidratos ainda eleva a glicemia.

É importante ressaltar que, embora o mel possa ter um índice glicêmico ligeiramente inferior ao do açúcar de mesa, estudos como o Glycemic Effects of Honey and Sucrose on Type 1 Diabetes Mellitus demonstram que ele ainda eleva os níveis de glicose no sangue e, portanto, deve ser consumido com moderação por pessoas com diabetes.

Combinações estratégicas podem minimizar os efeitos na glicemia

Mulher preparando o café da manhã saudável com mel, frutas vermelhas, sementes, aveia e iogurte para minimizar os impactos na glicemia e na diabetes

A adição de frutas vermelhas, sementes, aveia e iogurte com mel podem minimizar os impactos na glicemia e na diabetes- Foto: Getty Images/ND

Para diabéticos que desejam consumir mel, algumas combinações podem fazer a diferença:

  • Controle a quantidade: opte por pequenas porções, como uma colher de chá.
  • Combine com proteínas, gorduras boas e fibras: essa combinação ajuda a retardar a absorção do açúcar e diminuir o impacto glicêmico.
  • Exemplos de combinações: iogurte natural desnatado com chia, linhaça e frutas vermelhas.

“Dessa forma, você vai conseguir ter o sabor do mel, mas equilibrando com proteína, com gorduras boas, com fibras para abaixar esse índice glicêmico do mel”, ressaltou Leite.

Hipoglicemia: a exceção à regra?

Em casos de hipoglicemia, o mel pode ser uma alternativa para elevar rapidamente os níveis de glicose no sangue. No entanto, essa estratégia deve ser utilizada com cautela e sob orientação médica. “O mel, por outro lado, pode ser uma boa alternativa se você está com hipoglicemia, porque a gente sabe que ele é um carboidrato que vai entrar rápido na corrente sanguínea. Então, se você está em crise de hipoglicemia, pode ser uma opção”, explica Patrícia Leite.

Busque orientação para um plano alimentar individualizado

Para um plano alimentar individualizado e seguro, consulte um nutricionista ou endocrinologista. O acompanhamento profissional é fundamental para controlar a diabetes e evitar complicações.

É crucial lembrar que, conforme apontam estudos sobre o tema, o consumo de mel por pessoas com diabetes exige acompanhamento e moderação. Uma revisão publicada Wiley Online Library conclui que, embora o mel tenha propriedades benéficas, ele deve ser consumido com cautela devido ao seu impacto na glicemia.

Para mais informações e dicas sobre diabetes, confira o vídeo da nutricionista Patrícia Leite no YouTube:

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