Solidão e solitude em cena: terceiro dia de entrevistas no Festival de Curitiba

A experiência teatral como um ato solitário pode ser uma ótica inusitada, mas esteve presente nas entrevistas desta quarta-feira (26/03) no Festival de Curitiba. A sessão aconteceu no dia seguinte da apresentação solo de Débora Falabella no premiado “Prima Facie”. Outros artistas e projetos também conversaram com a imprensa.

“No Estoy Solo”

O espetáculo argentino “No Estoy Solo” traz uma perspectiva sobre relacionamentos e conexões humanas. O performer Iván Haidar fica sozinho em cena trazendo o corpo como ponto de partida dessas discussões. “O título é uma afirmação e uma hipótese”, contou o artista. A curadora e gestora Jimena García Blaya completou: “’No Estoy Solo’ é uma frase sem sujeito”, ressaltou ela sobre a dicotomia entre solidão e intimidade. Os dois complementaram sobre como não há uma diferenciação no castelhano entre solidão e solitude, o ato de estar sozinho por vontade própria. Assim, a não tradução do título dá abertura para diferentes interpretações.

Eles ainda apontaram o momento delicado da situação política argentina. “A gente vive tempos de muita perseguição”, afirmou Jimena. O país não tem mais secretaria de cultura oficial do governo federal, um desmonte planejado, com o qual ela traçou paralelos com o Brasil, que já teve situação parecida, e segundo ela, ainda pode voltar a acontecer.

Fringe

A coordenadora do Fringe, Rana Moscheta, deu entrevista com atores do grupo Antropofocus. Ela destacou as mais de 250 atrações da mostra sem curadoria e a importância do Fringe: “ter uma mostra paralela onde as companhias possam estar e trocar entre si”. Ela fez uma brincadeira com o termo “pague quanto vale”, típica do teatro em que se apresenta de graça e é passado o chapéu para contribuições voluntárias, chamando de “Pague quanto pode”. A relevância de se ter opções gratuitas ou com preços mais acessíveis democratiza o festival.

O teatro em Curitiba tem uma diversidade muito grande de produção. A mostra gratuita é muito importante para uma formação de público, e a gente tem público para isso”, complementou o ator Edran Mariano. Rana ainda celebrou as apresentações em espaços alternativos e as peças na Região Metropolitana de Curitiba.

Lambe-Lambe

A experiência solitária do teatro é retomada com a mostra AnimaRua no Fringe. São espetáculos no estilo lambe-lambe, no qual apenas um espectador por vez pode assistir um teatro de bonecos em uma pequena caixa. Essa tradição antiga é mantida por um grupo seleto de artistas pelo Brasil e pelo mundo. A inovação foi criada no Brasil em 1989 por Denise Di Santos, que fará uma oficina exclusiva, além de apresentações. Ela comentou na coletiva de imprensa sobre a reação do público que passa na rua e para para assistir o teatro. “O que atravessa nessas pessoas assistir ao lambe-lambe? É o despertar para o não óbvio”, disse.

“Prima Facie”

Na sessão de ontem (25), Débora Falabella encerrou o espetáculo “Prima Facie” comentando sobre o público. Ela confirmou, emocionada, que o Guairão foi o maior público que o espetáculo já teve em uma sessão. O palco amplo ressaltou a solidão da personagem Tessa, que se vê do outro lado do mundo jurídico do qual faz parte. Temas como violência sexual e o sistema judiciário permeiam o trabalho. Na coletiva, ela ressaltou o poder da ficção em tratar temas urgentes: “é muito lindo quando a gente consegue dizer isso através de uma história”.

Foi a primeira apresentação da atriz no palco do Guairão. “Estar sozinha no palco dizendo esse texto foi muito emocionante”, Débora contou. “Quase duas horas em cena, é outro tipo de cansaço, é quase uma resistência vocal. Ao mesmo tempo, é uma entrega muito grande, um exercício de presença enorme. E o público também tem esse exercício enquanto está vendo a peça e eu acho isso muito bonito.” “Prima Facie” foi assistida e discutida por muitos representantes do sistema judiciário, e a atriz contou sobre a reação de homens ao ver uma peça sobre uma mulher que passa por uma violência. “Essa personagem está vivendo um momento muito iluminado na sua profissão, com muitas crenças, e de repente ela se vê num abismo, e eu sinto exatamente o momento em que as pessoas entram comigo e caem junto. Isso é muito emocionante.”

A coletiva de imprensa seguiu com entrevistas com a Mostra Minas Para Ver de Perto e Mostra Plastic Doll. A primeira traz espetáculos de duas companhias  mineiras: Sala de Giz e Cia Futuros Carecas. Já Plastic Doll discute o conceito de corpos plásticos sob uma ótica ecofeminista e queer.

Serviço – 33º Festival de Curitiba

Quando: 24 de março a 06 de abril de 2025

Onde: diversos locais de Curitiba e Região Metropolitana

Quanto: Mostra Lucia Camargo – De GRATUITOS até R$ 85 (entrada inteira), + taxa adm

Risorama – De R$ 42,50 até R$ 85 (entrada inteira) + taxa adm

Fringe – De GRATUITOS até R$ 75 (entrada inteira) + taxa adm

Mostra Surda de Teatro – GRATUITA

MishMash – De R$ 30 até R$ 60 (entrada inteira) + taxa adm

Programa Guritiba – De GRATUITOS até R$ 60 (entrada inteira) + taxa adm

Gastronomix – De R$ 10 até R$ 20 (entrada inteira) + taxa adm

Vendas: No site do festival e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller.

Evento com desconto Clube Cult.

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