Faraó dos Bitcoins x Igreja Universal: A batalha judicial que pode recuperar R$ 72 Milhões

Faraó dos Bitcoins

A polêmica envolvendo o ex-pastor e investidor Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o “Faraó dos Bitcoins”, ganha um novo capítulo com a disputa entre a massa falida de sua empresa e a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

No centro do embate, estão cerca de R$ 72 milhões em Bitcoin, doados por Glaidson à instituição religiosa antes de sua prisão.

A decisão da Justiça sobre o destino desses recursos pode impactar diretamente os investidores que foram lesados pelo esquema de pirâmide operado pela GAS Consultoria. Se a IURD for obrigada a devolver a quantia, os valores poderão ser usados para ressarcir as vítimas.

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A ligação entre Glaidson e a Igreja Universal

O passado religioso do “Faraó dos Bitcoins”

Antes de se tornar um dos principais nomes do universo das criptomoedas no Brasil, Glaidson teve uma forte conexão com a Igreja Universal. Ele atuou como pastor e, durante anos, cultivou uma relação próxima com a instituição.

A generosa doação em Bitcoin

A doação de R$ 72 milhões foi feita por meio da GAS Consultoria, empresa comandada por Glaidson e posteriormente identificada como uma pirâmide financeira pela Justiça brasileira.

Segundo ele, a doação foi um ato de gratidão pelo apoio que recebeu da Igreja Universal ao longo de sua vida.

O início da disputa: Igreja Universal questiona a origem dos fundos

Pedido de comprovação de licitude

Apesar da doação, a Igreja Universal passou a questionar a origem dos fundos e entrou com uma ação judicial pedindo que Glaidson comprovasse a licitude dos valores doados. Esse movimento ocorreu antes mesmo da prisão do investidor, em 2021.

A reação de Glaidson

Sentindo-se traído, Glaidson decidiu reagir e acionou a Justiça pedindo a devolução dos valores doados. Ele argumenta que a IURD não poderia questionar a origem dos fundos depois de tê-los aceitado e que, diante da suspeita levantada, ele tem direito de recuperar o dinheiro.

O papel da massa falida da GAS Consultoria

Com a falência da GAS Consultoria oficialmente decretada, a massa falida entrou na disputa para garantir que qualquer recurso recuperado seja utilizado para ressarcir os investidores que perderam dinheiro no esquema de pirâmide.

A tese da massa falida é de que, se a Justiça determinar a devolução dos fundos, eles devem ser direcionados a uma conta judicial vinculada ao processo de falência, garantindo que os credores sejam prioritariamente pagos.

Base jurídica da disputa

O Artigo 555 do Código Civil

A estratégia de Glaidson para recuperar o dinheiro está baseada no artigo 555 do Código Civil, que trata da revogação de doações. Esse artigo permite que uma doação seja anulada caso seja provado que houve ingratidão por parte do beneficiário.

Glaidson alega que a postura da Igreja, ao questionar a legalidade do dinheiro e ao alertar fiéis sobre o esquema da GAS Consultoria, demonstra ingratidão e, portanto, justifica a revogação da doação.

O posicionamento da Igreja Universal

A Igreja Universal defende que agiu corretamente ao questionar a origem do dinheiro e que não está obrigada a devolver os valores.

A instituição argumenta que recebeu os recursos de boa-fé e que, se houver irregularidades, a responsabilidade é exclusivamente de Glaidson.

Possíveis desdobramentos do caso

Impacto para os investidores lesados

Se a Justiça determinar que os fundos devem ser devolvidos e direcionados para a massa falida da GAS Consultoria, isso pode representar um alívio para os milhares de investidores que perderam dinheiro com o esquema.

Consequências para a Igreja Universal

Caso a Igreja seja obrigada a devolver os valores, a decisão pode criar um precedente jurídico importante para outras doações milionárias feitas por pessoas posteriormente envolvidas em escândalos financeiros.

Considerações finais

Grayscale
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

A disputa entre o “Faraó dos Bitcoins” e a Igreja Universal é um dos casos mais emblemáticos envolvendo criptomoedas e instituições religiosas no Brasil. O desfecho desse processo pode ter repercussões significativas tanto para os investidores da GAS Consultoria quanto para a própria Igreja Universal.

Com valores expressivos em jogo e um forte embasamento jurídico de ambos os lados, o caso promete se arrastar por um bom tempo nos tribunais.

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