Moradores da Grande BH reivindicam volta do trem de passageiros metropolitano; entenda

A Câmara Municipal de Contagem realizou, nesta quarta-feira (2), uma audiência pública para discutir a retomada do trem de passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte, desativado há quase 30 anos. O debate contou com representantes do Governo Federal, especialistas, movimentos sociais e parlamentares de Contagem, Belo Horizonte, Santa Luzia e Ribeirão das Neves.

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Com o fim da concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) previsto para 2026, o movimento vê uma oportunidade para pressionar pela reativação do serviço. Cristina Oliveira, do Movimento Pela Volta do Trem de Passageiros na RMBH, destacou que a concessão da FCA, operada pela VLI Multimodal S.A., apenas ampliou a exclusão social, a poluição e os congestionamentos. “A volta do trem é uma reparação histórica. Perdemos esse direito com a concessão, que impôs longas jornadas de deslocamento e prejudicou a mobilidade da população”, afirmou Cristina.

Segundo a vereadora de Contagem, Adriana Souza, o retorno do trem de passageiros vai impactar, sobretudo, a vida dos trabalhadores da Grande BH, além de impulsionar a economia. “A gente vai ter um impacto econômico que é muito positivo, porque é muito mais barato fazer esse transporte para o trabalhador e trabalhadora. Ele vai ganhar tempo de vida e qualidade vida para poder sair da sua cidade e trabalhar na capital ou em outra cidade da Região Metropolitana.”, afirma.

O vereador de Santa Luzia, Glaucon Durães, por sua vez, afirma que o município é um dos que mais possui troca de população em idade ativa com BH e outras cidades em relação ao trabalho, serviços e saúde. “51% da nossa população em idade ativa todo dia faz deslocamento pendular e outras cidades da Região Metropolitana”, explica. Além disso, conforme o representante, essa é uma demanda antiga do município frente ao “estrangulamento do sistema rodoviário”.

Além da presença de representantes e especialistas do assunto, a aposentada Cléa das Graças também participou da audiência. A moradora de Contagem, de 77 anos, conta que utilizava o trem como meio de transporte antes da concessão. “O trem ia cheio e voltava cheio. Ajudava muitas pessoas, era rápido e mais barato”, recorda. No entanto, “falaram que também ia transportar minério. Acabou que ficou só para minério, e não é justo”, desabafa.

Além da audiência pública, os integrantes do movimento publicaram um manifesto exigindo o cancelamento da renovação automática da concessão e a criação do Fundo Nacional Ferroviário.

Pontos do manifesto

1) Exigir o cancelamento da renovação automática da concessão da ferrovia Centro-Atlântica, prevista para 2026, com o consórcio VLI, com a reabertura da discussão em larga escala com participação da sociedade civil, de modo a garantir que as linhas – um bem público, pertencente à união e a todos nós – sejam novamente utilizadas para o transporte de passageiros na RMBH, nos municípios em seu entorno e em outros polos de desenvolvimento e moradia em Minas Gerais.

2) Criar o Fundo Nacional Ferroviário com recursos das obrigações financeiras das empresas concessionárias com o governo federal a serem investidos no transporte de passageiros, a fim de se definir diretrizes e metas na aplicação dos recursos deste fundo.

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